terça-feira, 29 de maio de 2012

Carta do I Seminário Nacional Juventude Rural e Políticas Públicas



Nós, jovens rurais, agricultores familiares, camponeses, assentados da reforma agrária, assalariados, semterra, quilombolas, indígenas, ribeirinhos, extrativistas, oriundos das diferentes regiões do país, reunidos no I
Seminário Nacional Juventude Rural e Políticas Públicas, afirmamos a necessidade de construção de uma
política nacional de juventude do campo e da floresta.
Vivemos num momento histórico  marcado pela hegemonia de um modelo de desenvolvimento agrícola e
agrário adverso, que dá centralidade ao agronegócio,  baseado na concentração de terra e riquezas naturais;
na produção de commodities para exportação; no uso  desenfreado de agrotóxicos; no alto índice de
exploração dos trabalhadores; que gera êxodo rural, desigualdade social e violência no campo.
Neste contexto, convivemos com estatísticas que nos apontam que a cada dia 10 escolas são fechadas no
campo; que a cada ano 80 mil jovens precisam deixar o meio rural para buscar condições de trabalho e estudo
nas cidades, condições estas insustentáveis para garantir relações mais justas e qualidade de vida para os
povos do campo e da floresta, especialmente os/as jovens.
As desigualdades de gênero, raça e etnia também compõem este cenário social em que a juventude rural está
inserida, nos mostrando que superar relações de preconceito, machismo e racismo são desafios permanentes
para a construção das políticas publicas e de novos padrões culturais igualitários.
A partir da luta dos jovens rurais organizados foi possível quebrar a invisibilidade e pautar o estado frente à
construção de  políticas  publicas de juventude rural. Neste  sentido, reconhecemos a disponibilidade do
governo em promover diálogos para a construção de proposições, porém ainda há muito o que se fazer , por
isso afirmamos  que para a juventude ter vida digna no campo é necessário:
- Acesso a terra e ao território, através de uma  ampla e massiva reforma agrária,  demarcação das terras
indígenas e quilombolas,  que valorize a  juventude rural como sujeito estratégico para a dinamização e
desenvolvimento do campo.
- Educação do campo e no campo, em todos os níveis, desde a superação do analfabetismo, passando pelos
ensinos fundamentais e médios e com cursos superiores nas diferentes áreas de conhecimento.
- Políticas agrícolas voltadas para a juventude rural, assegurando   ATER, ATER Indígena, financiamento, apoio
na comercialização e fomento para que a juventude possa produzir alimentos numa perspectiva agroecológica.
- Eliminar o trabalho degradante e em condições análogas a escravidão que os jovens rurais são submetidos
nos latifúndios do agronegócio- Acesso a políticas de cultura, esporte, tecnologias de informação e comunicação, possibilitando novas
sociabilidades e a vivência da condição juvenil no campo.
- Geração de renda agrícola e não agrícola, tornando o campo um espaço de oportunidades para que a
juventude rural possa trabalhar  dignamente  no setor de serviços e em  agroindústrias  familiares,
permanecendo assim no campo.
Os resultados obtidos neste I Seminário são fruto de uma construção coletiva dos diferentes atores sociais que
atuam com a juventude rural, nos ensinando que a unidade das forças que representam os trabalhadores
rurais, camponeses, sem terra, ribeirinhos,  indígenas, extrativistas e quilombolas é um eficaz caminho para
construir propostas de políticas bem como para cobrar sua implementação.
Brasília, 24 de maio de 2012

Fonte: Secretaria Nacional de Juventude