terça-feira, 30 de agosto de 2016

Leia a íntegra do discurso de Dilma: “Temo a morte da democracia”

Presidenta eleita se defende das acusações e mostra que não há crime de responsabilidade que justifique o golpe. Veja a íntegra do discurso

A presidenta eleita Dilma Rousseff está no Senado nesta segunda-feira (29) para se defender do processo de impeachment, um golpe em curso no país.
A seção teve início às 9h40 e a presidenta começou sua fala 13 minutos depois, expondo os motivos que a levam a qualificar o impeachment como um golpe, por não ter embasamento em fatos que configurem crime de responsabilidade.
Confira na íntegra a fala da presidenta:
“Excelentíssimo Senhor Presidente do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski Excelentíssimo Senhor Presidente do Senado Federal Renan Calheiros, Excelentíssimas Senhoras Senadoras e Excelentíssimos Senhores Senadores, Cidadãs e Cidadãos de meu amado Brasil.
No dia 1o de janeiro de 2015 assumi meu segundo mandato à Presidência da República Federativa do Brasil. Fui eleita por mais 54 milhões de votos. Na minha posse, assumi o compromisso de manter, defender e cumprir a Constituição, bem como o de observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.
Ao exercer a Presidência da República respeitei fielmente o compromisso que assumi perante a nação e aos que me elegeram. E me orgulho disso. Sempre acreditei na democracia e no Estado de direito, e sempre vi na Constituição de 1988 uma das grandes conquistas do nosso povo. Jamais atentaria contra o que acredito ou praticaria atos contrários aos interesses daqueles que me elegeram.
Nesta jornada para me defender do impeachment me aproximei mais do povo, tive oportunidade de ouvir seu reconhecimento, de receber seu carinho. Ouvi também críticas duras ao meu governo, a erros que foram cometidos e a medidas e políticas que não foram adotadas. Acolho essas críticas com humildade. Até porque, como todos, tenho defeitos e cometo erros.
Entre os meus defeitos não está a deslealdade e a covardia. Não traio os compromissos que assumo, os princípios que defendo ou os que lutam ao meu lado. Na luta contra a ditadura, recebi no meu corpo as marcas da tortura. Amarguei por anos o sofrimento da prisão. Vi companheiros e companheiras sendo violentados, e até assassinados. Na época, eu era muito jovem. Tinha muito a esperar da vida. Tinha medo da morte, das sequelas da tortura no meu corpo e na minha alma. Mas não cedi. Resisti. Resisti à tempestade de terror que começava a me engolir, na escuridão dos tempos amargos em que o país vivia. Não mudei de lado. Apesar de receber o peso da injustiça nos meus ombros, continuei lutando pela democracia.
Dediquei todos esses anos da minha vida à luta por uma sociedade sem ódios e intolerância. Lutei por uma sociedade livre de preconceitos e de discriminações. Lutei por uma sociedade onde não houvesse miséria ou excluídos. Lutei por um Brasil soberano, mais igual e onde houvesse justiça. Disso tenho orgulho. Quem acredita, luta.
Aos quase setenta anos de idade, não seria agora, após ser mãe e avó, que abdicaria dos princípios que sempre me guiaram. Exercendo a Presidência da República tenho honrado o compromisso com o meu país, com a Democracia, com o Estado de Direito. Tenho sido intransigente na defesa da honestidade na gestão da coisa pública. Por isso, diante das acusações que contra mim são dirigidas neste processo, não posso deixar de sentir, na boca, novamente, o gosto áspero e amargo da injustiça e do arbítrio. E por isso, como no passado, resisto.
Não esperem de mim o obsequioso silêncio dos covardes. No passado, com as armas, e hoje, com a retórica jurídica, pretendem novamente atentar contra a democracia e contra o Estado do Direito. Se alguns rasgam o seu passado e negociam as benesses do presente, que respondam perante a sua consciência e perante a história pelos atos que praticam. A mim cabe lamentar pelo que foram e pelo que se tornaram. E resistir. Resistir sempre. Resistir para acordar as consciências ainda adormecidas para que, juntos, finquemos o pé no terreno que está do lado certo da história, mesmo que o chão trema e ameace de novo nos engolir.
Não luto pelo meu mandato por vaidade ou por apego ao poder, como é próprio dos que não tem caráter, princípios ou utopias a conquistar. Luto pela democracia, pela verdade e pela justiça. Luto pelo povo do meu País, pelo seu bem-estar. Muitos hoje me perguntam de onde vem a minhaenergia para prosseguir. Vem do que acredito. Posso olhar para trás e ver tudo o que fizemos. Olhar para a frente e ver tudo o que ainda precisamos e podemos fazer.
O mais importante é que posso olhar para mim mesma e ver a face de alguém que, mesmo marcada pelo tempo, tem forças para defender suas ideias e seus direitos. Sei que, em breve, e mais uma vez na vida, serei julgada. E é por ter a minha consciência absolutamente tranquila em relação ao que fiz, no exercício da Presidência da República que venho pessoalmente à presença dos que me julgarão. Venho para olhar diretamente nos olhos de Vossas Excelências, e dizer, com a serenidade dos que nada tem a esconder que não cometi nenhum crime de responsabilidade. Não cometi os crimes dos quais sou acusada injusta e arbitrariamente.
Hoje o Brasil, o mundo e a história nos observam e aguardam o desfecho deste processo de impeachment. No passado da América Latina e do Brasil, sempre que interesses de setores da elite econômica e política foram feridos pelas urnas, e não existiam razões jurídicas para uma destituição legítima, conspirações eram tramadas resultando em golpes de estado.
O Presidente Getúlio Vargas, que nos legou a CLT e a defesa do patrimônio nacional, sofreu uma implacável perseguição; a hedionda trama orquestrada pela chamada “República do Galeão, que o levou ao suicídio. O Presidente Juscelino Kubitscheck, que contruiu essa cidade, foi vítima de constantes e fracassadas tentativas de golpe, como ocorreu no episódio de Aragarças. O presidente João Goulart, defensor da democracia, dos direitos dos trabalhadores e das Reformas de Base, superou o golpe do parlamentarismo mas foi deposto e instaurou-se a ditadura militar, em 1964. Durante 20 anos, vivemos o silêncio imposto pelo arbítrio e a democracia foi varrida de nosso País. Milhões de brasileiros lutaram e reconquistaram o direito a eleições diretas.
Hoje, mais uma vez, ao serem contrariados e feridos nas urnas os interesses de setores da elite econômica e política nos vemos diante do risco de uma ruptura democrática. Os padrões políticos dominantes no mundo repelem a violência explícita. Agora, a ruptura democrática se dá por meio da violência moral e de pretextos constitucionais para que se empreste aparência de legitimidade ao governo que assume sem o amparo das urnas. Invoca-se a Constituição para que o mundo das aparências encubra hipocritamente o mundo dos fatos.
As provas produzidas deixam claro e inconteste que as acusações contra mim dirigidas são meros pretextos, embasados por uma frágil retórica jurídica. Nos últimos dias, novos fatos evidenciaram outro aspecto da trama que caracteriza este processo de impeachment. O autor da representação junto ao Tribunal de Contas da União que motivou as acusações discutidas nesse processo, foi reconhecido como suspeito pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal. Soube-se ainda, pelo depoimento do auditor responsável pelo parecer técnico, que ele havia ajudado a elaborar a própria representação que auditou. Fica claro o vício da parcialidade, a trama, na construção das teses por eles defendidas. São pretextos, apenas pretextos, para derrubar, por meio de um processo de impeachment sem crime de responsabilidade, um governo legítimo, escolhido em eleição direta com a participação de 110 milhões de brasileiros e brasileiras. O governo de uma mulher que ousou ganhar duas eleições presidenciais consecutivas. São pretextos para viabilizar um golpe na Constituição. Um golpe que, se consumado, resultará na eleição indireta de um governo usurpador. A eleição indireta de um governo que, já na sua interinidade, não tem mulheres comandando seus ministérios, quando o povo, nas urnas, escolheu uma mulher para comandar o país. Um governo que dispensa os negros na sua composição ministerial e já revelou um profundo desprezo pelo programa escolhido pelo povo em 2014.
Fui eleita presidenta por 54 milhões e meio de votos para cumprir um programa cuja síntese está gravada nas palavras “nenhum direito a menos”. O que está em jogo no processo de impeachment não é apenas o meu mandato. O que está em jogo é o respeito às urnas, à vontade soberana do povo brasileiro e à Constituição. O que está em jogo são as conquistas dos últimos 13 anos: os ganhos da população, das pessoas mais pobres e da classe média; a proteção às crianças; os jovens chegando às universidades e às escolas técnicas; a valorização do salário mínimo; os médicos atendendo a população; a realização do sonho da casa própria.
O que está em jogo é o investimento em obras para garantir a convivência com a seca no semiárido, é a conclusão do sonhado e esperado projeto de integração do São Francisco. O que está em jogo é, também, a grande descoberta do Brasil, o pré-sal. O que está em jogo é a inserção soberana de nosso País no cenário internacional, pautada pela ética e pela busca de interesses comuns. O que está em jogo é a auto-estima dos brasileiros e brasileiras, que resistiram aos ataques dos pessimistas de plantão à capacidade do País de realizar, com sucesso, a Copa do Mundo e as Olimpíadas e Paraolimpíadas. O que está em jogo é a conquista da estabilidade, que busca o equilíbrio fiscal mas não abre mão de programas sociais para a nossa população. O que está em jogo é o futuro do País, a oportunidade e a esperança de avançar sempre mais. Senhoras e senhores senadores, No presidencialismo previsto em nossa Constituição, não basta a eventual perda de maioria parlamentar para afastar um Presidente.
Há que se configurar crime de responsabilidade. E está claro que não houve tal crime. Não é legítimo, como querem os meus acusadores, afastar o chefe de Estado e de governo pelo “conjunto da obra”. Quem afasta o Presidente pelo “conjunto da obra” é o povo e, só o povo, nas eleições. E nas eleições o programa de governo vencedor não foi este agora ensaiado e desenhado pelo Governo interino e defendido pelos meus acusadores.
O que pretende o governo interino, se transmudado em efetivo, é um verdadeiro ataque às conquistas dos últimos anos. Desvincular o piso das aposentadorias e pensões do salário mínimo será a destruição do maior instrumento de distribuição de renda do país, que é a Previdência Social. O resultado será mais pobreza, mais mortalidade infantil e a decadência dos pequenos municípios. A revisão dos direitos e garantias sociais previstos na CLT e a proibição do saque do FGTS na demissão do trabalhador são ameaças que pairam sobre a população brasileira caso prospere o impeachment sem crime de responsabilidade. Conquistas importantes para as mulheres, os negros e as populações LGBT estarão comprometidas pela submissão a princípios ultraconservadores. O nosso patrimônio estará em questão, com os recursos do pré-sal, as riquezas naturais e minerárias sendo privatizadas.
A ameaça mais assustadora desse processo de impeachment sem crime de responsabilidade é congelar por inacreditáveis 20 anos todas as despesas com saúde, educação, saneamento, habitação. É impedir que, por 20 anos, mais crianças e jovens tenham acesso às escolas; que, por 20 anos, as pessoas possam ter melhor atendimento à saúde; que, por 20 anos, as famílias possam sonhar com casa própria. Senhor Presidente Ricardo Lewandowski, senhoras e senhores Senadores, a verdade é que o resultado eleitoral de 2014 foi um rude golpe em setores da elite conservadora brasileira.
Desde a proclamação dos resultados eleitorais, os partidos que apoiavam o candidato derrotado nas eleições fizeram de tudo para impedir a minha posse e a estabilidade do meu governo. Disseram que as eleições haviam sido fraudadas, pediram auditoria nas urnas, impugnaram minhas contas eleitorais, e após a minha posse, buscaram de forma desmedida quaisquer fatos que pudessem justificar retoricamente um processo de impeachment. Como é próprio das elites conservadoras e autoritárias, não viam na vontade do povo o elemento legitimador de um governo. Queriam o poder a qualquer preço. Tudo fizeram para desestabilizar a mim e ao meu governo.
Só é possível compreender a gravidade da crise que assola o Brasil desde 2015, levando-se em consideração a instabilidade política aguda que, desde a minha reeleição, tem caracterizado o ambiente em que ocorrem o investimento e a produção de bens e serviços. Não se procurou discutir e aprovar uma melhor proposta para o País. O que se pretendeu permanentemente foi a afirmação do “quanto pior melhor”, na busca obsessiva de se desgastar o governo, pouco importando os resultados danosos desta questionável ação política para toda a população.
A possibilidade de impeachment tornou-se assunto central da pauta política e jornalística apenas dois meses após minha reeleição, apesar da evidente improcedência dos motivos para justificar esse movimento radical. Nesse ambiente de turbulências e incertezas, o risco político permanente provocado pelo ativismo de parcela considerável da oposição acabou sendo um elemento central para a retração do investimento e para o aprofundamento da crise econômica.
Deve ser também ressaltado que a busca do reequilíbrio fiscal, desde 2015, encontrou uma forte resistência na Câmara dos Deputados, à época presidida pelo Deputado Eduardo Cunha. Os projetos enviados pelo governo foram rejeitados, parcial ou integralmente. Pautas bombas foram apresentadas e algumas aprovadas. As comissões permanentes da Câmara, em 2016, só funcionaram a partir do dia 5 de maio, ou seja, uma semana antes da aceitação do processo de impeachment pela Comissão do Senado Federal.
As senhoras e senhores Senadores sabem que o funcionamento dessas Comissões era e é absolutamente indispensável para a aprovação de matérias que interferem no cenário fiscal e encaminhar a saída da crise. Foi criado assim o desejado ambiente de instabilidade política, propício a abertura do processo de impeachment sem crime de responsabilidade. Sem essas ações, o Brasil certamente estaria hoje em outra situação política, econômica e fiscal.
Muitos articularam e votaram contra propostas que durante toda a vida defenderam, sem pensar nas consequências que seus gestos trariam para o país e para o povo brasileiro. Queriam aproveitar a crise econômica, porque sabiam que assim que o meu governo viesse a superá-la, sua aspiração de acesso ao poder haveria de ficar sepultada por mais um longo período. Mas, a bem da verdade, as forças oposicionistas somente conseguiram levar adiante o seu intento quando outra poderosa força política a elas se agregou: a força política dos que queriam evitar a continuidade da “sangria” de setores da classe política brasileira, motivada pelas investigações sobre a corrupção e o desvio de dinheiro público.
É notório que durante o meu governo e o do ex-presidente Lula foram dadas todas as condições para que estas investigações fossem realizadas. Propusemos importantes leis que dotaram os órgãos competentes de condições para investigar e punir os culpados. Assegurei a autonomia do Ministério Público, nomeando como Procurador Geral da República o primeiro nome da lista indicado pelos próprios membros da instituição. Não permiti qualquer interferência política na atuação da Polícia Federal. Contrariei, com essa minha postura, muitos interesses. Por isso, paguei e pago um elevado preço pessoal pela postura que tive.
Arquitetaram a minha destituição, independentemente da 13 existência de quaisquer fatos que pudesse justificá-la perante a nossa Constituição. Encontraram, na pessoa do ex-Presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha o vértice da sua aliança golpista. Articularam e viabilizaram a perda da maioria parlamentar do governo. Situações foram criadas, com apoio escancarado de setores da mídia, para construir o clima político necessário para a desconstituição do resultado eleitoral de 2014.
Todos sabem que este processo de impeachment foi aberto por uma “chantagem explícita” do ex-Presidente da Câmara, Eduardo Cunha, como chegou a reconhecer em declarações à imprensa um dos próprios denunciantes. Exigia aquele parlamentar que eu intercedesse para que deputados do meu partido não votassem pela abertura do seu processo de cassação. Nunca aceitei na minha vida ameaças ou chantagens. Se não o fiz antes, não o faria na condição de Presidenta da República.
É fato, porém, que não ter me curvado a esta chantagem motivou o recebimento da denúncia por crime de responsabilidade e a abertura deste d processo, sob o aplauso dos derrotados em 2014 e dos temerosos pelas investigações. Se eu tivesse me acumpliciado com a improbidade e com o que há de pior na política brasileira, como muitos até hoje parecem não ter o menor pudor em fazê-lo, eu não correria o risco de ser condenada injustamente. Quem se acumplicia ao imoral e ao ilícito, não tem respeitabilidade para governar o Brasil. Quem age para poupar ou adiar o julgamento de uma pessoa que é acusada de enriquecer às custas do Estado brasileiro e do povo que paga impostos, cedo ou tarde, acabará pagando perante a sociedade e a história o preço do seu descompromisso com a ética.
Todos sabem que não enriqueci no exercício de cargos públicos, que não desviei dinheiro público em meu proveito próprio, nem de meus familiares, e que não possuo contas ou imóveis no exterior. Sempre agi com absoluta probidade nos cargos públicos que ocupei ao longo da minha vida. Curiosamente, serei julgada, por crimes que não cometi, antes do julgamento do ex-presidente da Câmara, acusado de ter praticado gravíssimos atos ilícitos e que liderou as tramas e os ardis que alavancaram as ações voltadas à minha destituição. Ironia da história? Não, de forma nenhuma. Trata-se de uma ação deliberada que conta com o silêncio cúmplice de setores da grande mídia brasileira. Viola-se a democracia e pune-se uma inocente.
Este é o pano de fundo que marca o julgamento que será realizado pela vontade dos que lançam contra mim pretextos acusatórios infundados. Estamos a um passo da consumação de uma grave ruptura institucional. Estamos a um passo da concretização de um verdadeiro golpe de Estado. Senhoras e Senhores Senadores, vamos aos autos deste processo. Do que sou acusada? Quais foram os atentados à Constituição que cometi? Quais foram os crimes hediondos que pratiquei?
A primeira acusação refere-se à edição de três decretos de crédito suplementar sem autorização legislativa. Ao longo de todo o processo, mostramos que a edição desses decretos seguiu todas as regras legais. Respeitamos a previsão contida na Constituição, a meta definida na LDO e as autorizações estabelecidas no artigo 4° da Lei Orçamentária de 2015, aprovadas pelo Congresso Nacional. Todas essas previsões legais foram respeitadas em relação aos 3 decretos. Eles apenas ofereceram alternativas para alocação dos mesmos limites, de empenho e financeiro, estabelecidos pelo decreto de contingenciamento, que não foram alterados. Por isso, não afetaram em nada a meta fiscal.
Ademais, desde 2014, por iniciativa do Executivo, o Congresso aprovou a inclusão, na LDO, da obrigatoriedade que qualquer crédito aberto deve ter sua execução subordinada ao 16 decreto de contingenciamento, editado segundo as normas estabelecidas pela Lei de Responsabilidade Fiscal. E isso foi precisamente respeitado. Não sei se por incompreensão ou por estratégia, as acusações feitas neste processo buscam atribuir a esses decretos nossos problemas fiscais.
Ignoram ou escondem que os resultados fiscais negativos são consequência da desaceleração econômica e não a sua causa. Escondem que, em 2015, com o agravamento da crise, tivemos uma expressiva queda da receita ao longo do ano – foram R$ 180 bilhões a menos que o previsto na Lei Orçamentária. Fazem questão de ignorar que realizamos, em 2015, o maior contingenciamento de nossa história. Cobram que, quando enviei ao Congresso Nacional, em julho de 2015, o pedido de autorização para reduzir a meta fiscal, deveria ter imediatamente realizado um novo contingenciamento. Não o fiz porque segui o procedimento que não foi questionado pelo Tribunal de Contas da União ou pelo Congresso Nacional na análise das contas de 2009.
Além disso, a responsabilidade com a população justifica também nossa decisão. Se aplicássemos, em julho, o contingenciamento proposto pelos nossos acusadores cortaríamos 96% do total de recursos disponíveis para as 17 despesas da União. Isto representaria um corte radical em todas as dotações orçamentárias dos órgãos federais. Ministérios seriam paralisados, universidades fechariam suas portas, o Mais Médicos seria interrompido, a compra de medicamentos seria prejudicada, as agências reguladoras deixariam de funcionar.
Na verdade, o ano de 2015 teria, orçamentariamente, acabado em julho. Volto a dizer: ao editar estes decretos de crédito suplementar, agi em conformidade plena com a legislação vigente. Em nenhum desses atos, o Congresso Nacional foi desrespeitado. Aliás, este foi o comportamento que adotei em meus dois mandatos. Somente depois que assinei estes decretos é que o Tribunal de Contas da União mudou a posição que sempre teve a respeito da matéria.
É importante que a população brasileira seja esclarecida sobre este ponto: os decretos foram editados em julho e agosto de 2015 e somente em outubro de 2015 o TCU aprovou a nova interpretação. O TCU recomendou a aprovação das contas de todos os presidentes que editaram decretos idênticos aos que editei. Nunca levantaram qualquer problema técnico ou apresentaram a interpretação que passaram a ter depois que assinei estes atos. Querem me condenar por ter assinado decretos que atendiam a demandas de diversos órgãos, inclusive do próprio Poder Judiciário, com base no mesmo procedimento adotado desde a entrada em vigor da Lei de Responsabilidade Fiscal, em 2001? Por ter assinado decretos que somados, não implicaram, como provado nos autos, em nenhum centavo de gastos a mais para prejudicar a meta fiscal?
A segunda denúncia dirigida contra mim neste processo também é injusta e frágil. Afirma-se que o alegado atraso nos pagamentos das subvenções econômicas devidas ao Banco do Brasil, no âmbito da execução do programa de crédito rural Plano Safra, equivale a uma “operação de crédito”, o que estaria vedado pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Como minha defesa e várias testemunhas já relataram, a execução do Plano Safra é regida por uma lei de 1992, que atribui ao Ministério da Fazenda a competência de sua normatização, inclusive em relação à atuação do Banco do Brasil.
A Presidenta da República não pratica nenhum ato em relação à execução do Plano Safra. Parece óbvio, além de juridicamente justo, que eu não seja acusada por um ato inexistente. A controvérsia quanto a existência de operação de crédito surgiu de uma mudança de interpretação do TCU, cuja decisão definitiva foi emitida em dezembro de 2015. Novamente, há uma tentativa de dizer que cometi um crime antes da definição da tese 19 de que haveria um crime. Uma tese que nunca havia surgido antes e que, como todas as senhoras e senhores senadores souberam em dias recentes, foi urdida especialmente para esta ocasião.
Lembro ainda a decisão recente do Ministério Público Federal, que arquivou inquérito exatamente sobre esta questão. Afirmou não caber falar em ofensa à lei de responsabilidade fiscal porque eventuais atrasos de pagamento em contratos de prestação de serviços entre a União e instituições financeiras públicas não são operações de crédito. Insisto, senhoras senadoras e senhores senadores: não sou eu nem tampouco minha defesa que fazemos estas alegações. É o Ministério Público Federal que se recusou a dar sequência ao processo, pela inexistência de crime. Sobre a mudança de interpretação do TCU, lembro que, ainda antes da decisão final, agi de forma preventiva. Solicitei ao Congresso Nacional a autorização para pagamento dos passivos e defini em decreto prazos de pagamento para as subvenções devidas. Em dezembro de 2015, após a decisão definitiva do TCU e com a autorização do Congresso, saldamos todos os débitos existentes.
Não é possível que não se veja aqui também o arbítrio deste processo e a injustiça também desta acusação. Este processo de impeachment não é legítimo. Eu não atentei, em nada, em absolutamente nada contra qualquer dos dispositivos da Constituição que, como Presidenta da República, jurei cumprir. Não pratiquei ato ilícito. Está provado que não agi dolosamente em nada. Os atos praticados estavam inteiramente voltados aos interesses da sociedade. Nenhuma lesão trouxeram ao erário ou ao patrimônio público. Volto a afirmar, como o fez a minha defesa durante todo o tempo, que este processo está marcado, do início ao fim, por um clamoroso desvio de poder. É isto que explica a absoluta fragilidade das acusações que contra mim são dirigidas.
Tem-se afirmado que este processo de impeachment seria legítimo porque os ritos e prazos teriam sido respeitados. No entanto, para que seja feita justiça e a democracia se imponha, a forma só não basta. É necessário que o conteúdo de uma sentença também seja justo. E no caso, jamais haverá justiça na minha condenação. Ouso dizer que em vários momentos este processo se desviou, clamorosamente, daquilo que a Constituição e os juristas denominam de “devido processo legal”.
Não há respeito ao devido processo legal quando a opinião condenatória de grande parte dos julgadores é divulgada e registrada pela grande imprensa, antes do exercício final do direito de defesa. Não há respeito ao devido processo legal quando julgadores afirmam que a condenação não passa de uma questão de tempo, porque votarão contra mim de qualquer jeito. Nesse caso, o direito de defesa será exercido apenas formalmente, mas não será apreciado substantivamente nos seus argumentos e nas suas provas. A forma existirá apenas para dar aparência de legitimidade ao que é ilegítimo na essência. Senhoras e senhores senadores, nesses meses, me perguntaram inúmeras vezes porque eu não renunciava, para encurtar este capítulo tão difícil de minha vida. Jamais o faria porque tenho compromisso inarredável com o Estado Democrático de Direito. Jamais o faria porque nunca renuncio à luta.
Confesso a Vossas Excelências, no entanto, que a traição, as agressões verbais e a violência do preconceito me assombraram e, em alguns momentos, até me magoaram. Mas foram sempre superados, em muito, pela solidariedade, pelo apoio e pela disposição de luta de milhões de brasileiras e brasileiros pelo país afora. Por meio de manifestações de rua, reuniões, seminários, livros, shows, mobilizações na internet, nosso povo esbanjou criatividade e disposição para a luta contra o golpe. As mulheres brasileiras têm sido, neste período, um esteio fundamental para minha resistência. Me cobriram de flores e me protegeram com sua solidariedade. Parceiras incansáveis de uma batalha em que a misoginia e o preconceito mostraram suas garras, as brasileiras expressaram, neste combate pela democracia e pelos direitos, sua força e resiliência. Bravas mulheres brasileiras, que tenho a honra e o dever de representar como primeira mulher Presidenta do Brasil.
Chego à última etapa desse processo comprometida com a realização de uma demanda da maioria dos brasileiros: convocá-los a decidir, nas urnas, sobre o futuro de nosso País. Diálogo, participação e voto direto e livre são as melhores armas que temos para a preservação da democracia. Confio que as senhoras senadoras e os senhores senadores farão justiça. Tenho a consciência tranquila. Não pratiquei nenhum crime de responsabilidade. As acusações dirigidas contra mim são injustas e descabidas. Cassar em definitivo meu mandato é como me submeter a uma pena de morte política.
Este é o segundo julgamento a que sou submetida em que a democracia tem assento, junto comigo, no banco dos réus. Na primeira vez, fui condenada por um tribunal de exceção. Daquela época, além das marcas dolorosas da tortura, ficou o registro, em uma foto, da minha presença diante de meus algozes, num momento em que eu os olhava de cabeça erguida enquanto eles escondiam os rostos, com medo de serem reconhecidos e julgados pela história.
Hoje, quatro décadas depois, não há prisão ilegal, não há tortura, meus julgadores chegaram aqui pelo mesmo voto popular que me conduziu à Presidência. Tenho por todos o maior respeito, mas continuo de cabeça erguida, olhando nos olhos dos meus julgadores. Apesar das diferenças, sofro de novo com o sentimento de injustiça e o receio de que, mais uma vez, a democracia seja condenada junto comigo. E não tenho dúvida que, também desta vez, todos nós seremos julgados pela história.
Por duas vezes vi de perto a face da morte: quando fui torturada por dias seguidos, submetida a sevícias que nos fazem duvidar da humanidade e do próprio sentido da vida; e quando uma doença grave e extremamente dolorosa poderia ter abreviado minha existência. Hoje eu só temo a morte da democracia, pela qual muitos de nós, aqui neste plenário, lutamos com o melhor dos nossos esforços. Reitero: respeito os meus julgadores. Não nutro rancor por aqueles que votarão pela minha destituição. 24 Respeito e tenho especial apreço por aqueles que têm lutado bravamente pela minha absolvição, aos quais serei eternamente grata.
Neste momento, quero me dirigir aos senadores que, mesmo sendo de oposição a mim e ao meu governo, estão indecisos. Lembrem-se que, no regime presidencialista e sob a égide da nossa Constituição, uma condenação política exige obrigatoriamente a ocorrência de um crime de responsabilidade, cometido dolosamente e comprovado de forma cabal. Lembrem-se do terrível precedente que a decisão pode abrir para outros presidentes, governadores e prefeitos. Condenar sem provas substantivas. Condenar um inocente.
Faço um apelo final a todos os senadores: não aceitem um golpe que, em vez de solucionar, agravará a crise brasileira. Peço que façam justiça a uma presidenta honesta, que jamais cometeu qualquer ato ilegal, na vida pessoal ou nas funções públicas que exerceu. Votem sem ressentimento. O que cada senador sente por mim e o que nós sentimos uns pelos outros importa menos, neste momento, do que aquilo que todos sentimos pelo país e pelo povo brasileiro. Peço: votem contra o impeachment. Votem pela democracia. Muito obrigada”

Da Redação da Agência PT de Notícias

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Dilma vai ao Senado para se defender e lutar contra o golpe

Comitiva de 35 pessoas deve acompanhar a presidenta, que terá 30 minutos de fala. Presença do ex-presidente Lula é aguardada no Senado

Nesta segunda-feira (19), a presidenta eleita Dilma Rousseff vai ao Senado defender-se do golpe parlamentar em curso no país. Ela estará acompanhada por uma comitiva de 35 pessoas. A presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também é esperada.
Entre os presentes na comitiva estão ex-ministros do governo da presidenta, como Jaques Wagner, Aloizio Mercadante, Ricardo Berzoini, Miguel Rossetto, Patrus Ananias, Aldo Rebelo, Izabela Teixeira e Eleonora Menicucci. Além disso, o presidente nacional do PT, Rui Falcão, acompanhará a presidenta.
Em entrevista a jornais, o líder do PT no Senado, Humberto Costa, afirmou que espera a presença de Lula. “A nossa expectativa é que ele venha, sim. Nós conversamos e ele está disposto a vir. Ele quer vir e acompanhar o depoimento dela”, disse.
Na sessão do depoimento, Dilma terá 30 minutos para apresentar sua defesa e responderá a eventuais questionamentos formulados pela defesa, pela acusação e por parlamentares, além do presidente do Supremo Tribunal Federal ( STF), ministro Ricardo Lewandowski.
A senadora Kátia Abreu ( PMDB-TO) será a primeira a questionar Dilma Rousseff na segunda-feira (29). O primeiro inscrito, senador Paulo Paim, do PT, cedeu o lugar.
O julgamento do impeachment da presidenta começou na última quinta-feira (25). Nos dois primeiros dias, o julgamento conduzido pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF),Ricardo Lewandowski, foram ouvidas testemunhas de defesa e de acusação.
Da Redação da Agência PT de Notícias

“Nunca é suficiente repetir que é golpe”, diz Sonia Braga

No Festival de Gramado para exibição do filme “Aquarius”, atriz afirma ter sido um crime abrir o precedente com a tentativa de golpe contra Dilma Rousseff


“Nunca é suficiente repetir que é golpe. Ter criado esse precedente foi um crime”, disse a atrizSonia Braga durante a abertura do Festival de Cinema de Gramado (RS) na última sexta-feira (26).

Sonia é a protagonista do filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, que abriu o festival. A sua fala iniciou uma grande manifestação do público aos gritos de “Fora, Temer!”.
O ministro interino da Cultura, Marcelo Calero, estava presente e foi chamado de golpista pela plateia.
O elenco de “Aquarius” já havia participadode um protesto no Festival de Cannes (França) contra o golpe a presidenta Dilma Rousseff.
A equipe do filme brasileiro, com o diretor Kléber Mendonça Filho e os atores Humberto Carrão eMaeve Jinkings à frente, exibiram cartazes em inglês e francês no topo da escadaria que leva ao Palácio dos Festivais denunciando o golpe articulado por Michel Temer.
(foto: L'équipe d'Aquarius M. Petit/FDC)
(foto: L’équipe d’Aquarius M. Petit/FDC)
“O mundo não pode aceitar este governo ilegítimo”, “Um golpe está acontecendo no Brasil”, “54.501.118 de votos foram queimados”, “Misóginos, racistas e impostores como ministros” e “Dilma, vamos resistir com você” foram alguns dos cartazes levados pelos artistas.
“Penso que o que está acontecendo, a manipulação da tomada do poder, tem que ser exposto ao mundo inteiro”, afirmou Sonia Braga à ocasião.
“O que me motivou foi um senso de cidadania”, disse Kleber Mendonça Filho, sobre os protestos em Cannes. “A democracia ainda é a melhor forma de sociedade. Quando se quebra esse processo, a situação torna-se problemática. Fora do sistema democrático tem quem não o aceite. Foi um gesto, mais do que um ato.”
Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações do Brasil 247

Em Brasília, manifestantes montam acampamento contra o golpe

Organizado pelas Frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o Acampamento Nacional em Defesa Democracia e dos Direitos será o centro da resistência popular

Manifestantes de todas as regiões do País chegam a Brasília a partir deste domingo (28) para participar do Acampamento Nacional em Defesa Democracia e dos Direitos, montado no estacionamento do Ginásio Nilson Nelson, em Brasília.
Organizado pelas Frentes Brasil Popular ePovo Sem Medo, o acampamento será o ponto de referência da resistência popular e terá uma programação até o encerramento do processo do impeachment no Senado, previsto para terminar no dia 30.
A programação do acampamento inicia no domingo, às 10 horas, com a Assembleia da Classe Trabalhadora do Distrito Federal, organizada pela Central Única dos Trabalhadores ( CUT) seguida por um show de GOG, o principal nome do rap da capital do País.
Na manhã de segunda (29), a militância fará uma recepção para Dilma Rousseff em frente aoSenado Federal, para dar força para que a presidenta eleita por mais de 54 milhões de voto enfrente os golpistas na sabatina.
Às 16h, sairá uma marcha do acampamento ao Senado para o ato político em defesa da democracia e contra o golpe, que será realizado às 18h.
As mobilizações continuam na terça (30), quando está prevista a votação no Senado.
Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações do MST

Santo Antônio/RN: Lula Ribeiro arrasta multidão pelas ruas de Santo Antônio; veja o vídeo do arrastão

Uma multidão verde tomou conta das ruas da cidade na noite deste sábado (27), em um dos maiores arrastões já visto na história de Santo Antônio. O entusiasmo e o espírito democrático estavam estampados no rosto de milhares de pessoas entre jovens, idosos e gente de todas as idades em uma grande manifestação popular em apoio ao projeto de reeleição do prefeito Lula Ribeiro (PMDB).
Lula ao lado de seu vice Ricardo Bolinha (PSB) acompanharam junto ao povão o arrastão que saiu das Projetadas e percorreu as principais ruas da cidade, terminando no centro onde aconteceu o comício em praça pública que ficou tomada por um mar verde. Marca registrada e presente nos arrastões dos bacuraus, o paredão do Hulck que arrastou uma multidão teve problema durante o percurso e acabou sendo retirado.
No seu discurso, o prefeito Lula Ribeiro falou da sua tranquilidade de andar por todo Santo Antônio, com a certeza que ajudou a cidade a se desenvolver com a realização de obras e sempre com zelo ao dinheiro do povo. “Todo o povo reconhece que Santo Antônio tem uma administração responsável e séria. Por isso, não adianta querer enganar o povo, pois todos já conhecem o estilo transparente da nossa gestão, e que vai continuar”, assegurou Lula Ribeiro.
“Jamais estaria aqui em praça pública, se eu não tivesse serviço prestado. Vocês sabem que fiz muito em pouco tempo, mesmo diante de tantas dificuldades. Fizemos várias passagens molhadas, postos de saúde, campo de futebol. É pela primeira vez que de quinze anos para cá que uma gestão faz o pagamento dentro do mês trabalhado a todos os funcionários sejam efetivos ou contratados”, declarou Lula.
Lula ainda destacou os débitos herdados de gestões passadas que prejudicaram a sua gestão e penalizaram o município de Santo Antônio. “Já fui tudo nesse mundo, menos ladrão. Deus me deu o direito de trabalhar e vencer na vida financeiramente sem precisar roubar nada de ninguém. Hoje Santo Antônio vive sofrendo por pagar R$ 120 mil em parcelamento que foi errado com dinheiro público há anos atrás. Na nossa gestão já pagamos quase R$ 6 milhões. Vocês sabem o que significa R$ 6 milhões, seriam 600 casas populares para o povo de Santo Antônio. Quantas famílias de Santo Antônio que não podem morar de aluguel e poderiam ser beneficiadas com uma casa dessa. Encontramos na previdência social um rombo de mais de R$ 20 milhões. Se o prefeito tivesse tido o direito de pegar esse dinheiro, a gente pagou conta do passado, o que eu teria feito em Santo Antônio. Não aceite ser roubado, preste atenção na hora de votar”.
O ato político contou com as presenças dos deputados Ricardo Motta e Rafael Motta, além dos candidatos a vereadores da coligação com a Fé e a Força do Povo e de lideranças políticas, dentre elas o filho do ex-prefeito Aldo Henrique, o engenheiro Gustavo Lima, representando seu pai,  e o empresário Severino Bolinha, entre outros.
O deputado federal Rafael Motta afirmou que aquela concentração política foi a consagração da vitória de Lula para mais um mandato na prefeitura. “Pedir voto para esse homem é muito fácil, o povo já olha com cara de sorriso porque sabe que é um prefeito de vergonha, é um prefeito que trabalha e um prefeito que olha para o povo mais simples. Tem gente que faz política na base da mentira, da agressão e inventando história. Para esse povo, Lula responde com trabalho e com as mãos limpas”.
Veja um vídeo filmado por Jefferson Sena durante a passagem do arrastão:
FONTE: Blog Os Amigos da Onça

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Bento XVI revela que JMJ Rio 2013 foi o fator decisivo para sua renúncia

O Papa Emérito Bento XVI explicou em uma entrevista concedida ao jornal italiano ‘La Repubblica’ que o fator decisivo para apresentar sua renúncia ao pontificado em fevereiro de 2013 foi a convicção de que não poderia viajar ao Brasil para participar da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, em julho daquele ano.
Na entrevista, o Sumo Pontífice Emérito explica que “tinha duas convicções bem precisas depois da experiência da viagem ao México e a Cuba, já não me sentia na capacidade de fazer uma viagem tão fatigante”.
“Além disso, com a estrutura que São João Paulo II deu a essas jornadas, a presença física de um Papa era indispensável. Não se podia pensar em uma conexão televisiva ou outras formas respaldadas pela tecnologia”, disse Bento.
Para o Papa Emérito, “esta era uma circunstância pela qual a renúncia era para mim um dever. Tinha finalmente a confiança de que sem minha presença o Ano da Fé seguiria muito bem até o fim. A fé, de fato, é uma graça, um dom generoso de Deus para os fiéis”.
“Tinha, portanto, a convicção de que o meu sucessor, assim quando chegasse, igualmente levaria como quisesse o Senhor a iniciativa começada por mim”.
Bento XVI explicou que durante a viagem histórica que fez a México e Cuba, “experimentei os limites da minha resistência. Sobretudo, me dei conta de que não podia enfrentar no futuro voos transoceânicos pelo problema do fuso horário”.
“Naturalmente – continuou o Papa Emérito –, falei sobre esses problemas também com meu médico, o Dr. Patrizio Polisca”.
“Ficou claro, deste modo, que não estava na capacidade de participar da Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro no verão (europeu) de 2013, já que se opunha claramente o problema do fuso horário”, acrescentou e revelou que, “a partir de então, devia decidir em um tempo relativamente breve a data da minha aposentadoria”.
FONTE: Acidigital

UBER CHEGA A NATAL NESTA SEXTA. QUAL SERVIÇO É MAIS VANTAJOSO, TÁXI OU UBER? VEJA A COMPARAÇÃO

Quanto custa andar de carro (e sem estar no banco do motorista) em Natal? O Uber anunciou nesta sexta-feira, (26), a sua chegada à capital potiguar por volta das 14 horas. Será que compensa mais andar de táxi ou Uber? 

O Via Certa Natal faz você entender as diferenças

Antes de mostrar os números, é importante entender algumas diferenças na tarifação.

No Uber, a corrida é uma soma da tarifa base (cobrada assim que você entra no carro), dos minutos gastos no trajeto e da distância percorrida em quilômetros. Nos táxis, também existe a bandeirada e a quilometragem, mas a tarifa por tempo, chamada de “hora parada”, é cobrada apenas quando o carro estiver parado, no semáforo ou em algum congestionamento, por exemplo.

Além disso, os táxis usam o conceito de bandeiras. Em determinados casos, como nos finais de semana, feriados municipais ou madrugadas, entra em vigor a bandeira 2, quando há um acréscimo de 20% a 30% na tarifa por quilômetro percorrido. Algumas cidades adotam regras ainda mais específicas: em Natal, por exemplo, o taxista está autorizado a cobrar bandeira 2 quando o destino extrapolar os limites da cidade .

O Uber não possui “bandeiras”, mas preço dinâmico: quando muitas pessoas estiverem pedindo um Uber e não houver motoristas suficientes, a tarifa ganha um multiplicador (que pode ser de 1,3x ou 1,9x, por exemplo), tornando a corrida mais cara.

Segundo a empresa, isso é feito para equilibrar a demanda e garantir que todos consigam pegar um carro — quem quiser pagar mais pode solicitar um motorista imediatamente; quem julgar o preço muito alto pode pedir para que o aplicativo envie uma notificação quando a tarifa baixar.

No Brasil, o Uber oferece dois serviços. O UberBlack, (ainda não disponível em Natal), mais caro, tem veículos mais confortáveis (normalmente sedãs médios, como Toyota Corolla, Honda Civic e Volkswagen Jetta com fabricação a partir de 2014), com bancos de couro e motoristas de terno e gravata. O uberX, mais popular, também é composto por carros econômicos novos, como Fiat Idea, Honda Fit e Peugeot 307, ou automóveis mais antigos, como um Toyota Corolla de 2009 ou Mitsubishi Pajero de 2008.

Os táxis também possuem uma frota de luxo, mas o serviço é mais restrito. Normalmente, os táxis de luxo, não cobram aproximadamente taxa adicional nas corridas, ficam concentrados em locais de grande poder aquisitivo, como restaurantes caros e hotéis de alto padrão.

Os preços

Em Natal, a tarifa quilométrica é de (R$ 2,75), a escolha depende do trajeto que você fará, mas o uberX cobra sempre o menor preço. Assim como também bandeira 2, quase sempre o uberX pode sair por menos da metade do preço.

A bandeirada de táxi em Natal custa R$ 4,85. Já a bandeira I é de R$ 2,56 e a bandeira II R$ 3,56. A hora parada tem o valor R$ 26 e o adicional para carga acima de 10 kg ficca em R$ 1,65.

Conclusão

O uberX possui os menores preços em Natal, com tarifas  menores que a dos táxis comuns. 

Há casos específicos, onde há adicional de 50% de viagens metropolitanas no táxi e qualquer modalidade do Uber sai significativamente mais barata.

FONTE: Via Certa Natal